Abstract
O uso de plantas para fins medicinais é uma prática muito antiga nas diferentes culturas ao redor do mundo. Contudo, o consumo de plantas medicinais pode interferir em processos metabólicos (in vivo) ou em métodos analíticos (in vitro), produzindo resultados laboratoriais que podem sugerir ou mascarar processos patológicos. Lippia sidoides, conhecida popularmente como alecrim-pimenta, é uma planta com propriedades antisséptica, antimicrobiana, anti-inflamatória e larvicida e é encontrada no Nordeste brasileiro e na região semiárida do norte de Minas Gerais. Assim, esta pesquisa teve como objetivo investigar se os extratos aquosos das folhas de L. sidoides por infusão (EALSI) e decocção (EALSD) são capazes de interferir no ensaio enzimático para quantificação de glicose sanguínea. Alíquotas dos extratos (0,1; 1 e 10 mg/dL) foram adicionadas às amostras biológicas (pool de plasma fluoretado) e após 1 hora, a glicose foi quantificada por meio de ensaio colorimétrico enzimático (Reação de Trinder). A prospecção fitoquímica foi capaz de identificar a presença de alcaloides, flavonoides, flavonóis, flavanonas, xantonas, taninos, esteroides e triterpenoides em ambos os extratos. Quanto à possível interferência que esses extratos poderiam causar na determinação da glicemia, apenas na concentração de 10 mg/dL houve um aumento significativo no nível de glicose para 321,5±10,0 mg/dL (EALSI) e 304,3±9,3 mg/dL (EALSD) quando comparados ao controle (85,4±3,6 mg/dL, ANOVA de uma via e teste de Tukey, p<0,05). Por fim, são necessários mais estudos a fim de elucidar qual ou quais substâncias são responsáveis por essa interferência e o mecanismo de ação frente a testes bioquímicos realizados rotineiramente em um laboratório clínico.
Publisher
Conselho Federal de Farmacia
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