Affiliation:
1. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brazil
2. Universidade Federal de Sergipe, Brazil
3. Universidade de Brasília, Brazil
Abstract
RESUMO Objetivo: analisar as variáveis sociodemográficas que podem interferir no desfecho de casos clínicos de pacientes com queixas de voz ou deglutição. Métodos: estudo observacional, transversal, descritivo e retrospectivo. Foram analisados os prontuários de pessoas maiores de 18 anos atendidas na Clínica de Voz do Serviço de Fonoaudiologia do Hospital Universitário do Rio de Janeiro de 2010 a 2018. Foram incluídos 81 prontuários, sendo 47 de participantes do gênero feminino e 34 do masculino. Os pacientes foram divididos quanto a três tipos de desfecho: alta, desligamento e abandono. As variáveis sociodemográficas estudadas foram gênero, estado civil, escolaridade, renda, ser ou não profissional da voz e queixa principal. Para análise dos resultados, foram contabilizadas as frequências relativa e absoluta e, para análise inferencial, foi utilizado o teste Qui-Quadrado de Pearson (nível de significância de 5%). Resultados: as variáveis sociodemográficas não estiveram significantemente associadas aos desfechos estudados quando não se considerou o tipo de queixa (de voz ou de deglutição) de forma separada. Especificamente, observou-se uma frequência significativamente maior de pacientes com queixa de voz e que receberam alta fonoaudiológica (p=0,020). Nestes pacientes, houve associação significativa entre a frequência maior de pacientes que abandonaram a terapia e que possuíam renda de até um salário-mínimo (p=0,041). Não houve associações significativas nas pessoas com queixas de deglutição e as variáveis sociodemográfica estudadas. Conclusão: o desfecho mais frequente foi o abandono ao tratamento. Neste estudo, a baixa renda familiar esteve associada ao abandono do tratamento por pacientes com queixa de voz. Pacientes com queixas de deglutição apresentaram menor frequência de abandono ao tratamento e menos alta do que pacientes com queixas de voz.